A indústria avícola de Moçambique está passando por um período de forte expansão, aproximando o país da autossuficiência no setor de proteínas. De acordo com dados divulgados pelo Ministro da Agricultura, Meio Ambiente e Pescas, Roberto Albino, o setor produziu quase 100 mil toneladas de carne de frango e mais de 23 milhões de dúzias de ovos nos primeiros nove meses do ano. Esse crescimento destaca a crescente capacidade do país de atender à demanda interna e reduzir sua dependência de produtos importados caros.
O segmento avícola emergiu como um dos componentes de crescimento mais rápido do setor pecuário de Moçambique, um desenvolvimento substancialmente apoiado por iniciativas governamentais destinadas a estimular a produção e o investimento locais. As autoridades introduziram estrategicamente programas focados em melhorar o acesso dos agricultores a equipamentos modernos, ração essencial e instalações vitais de incubação, trabalhando simultaneamente para impulsionar a participação de pequenos produtores em toda a cadeia de valor da avicultura. Essa abordagem estratégica visa profissionalizar e descentralizar a produção.
Para consolidar ainda mais esse crescimento, o governo estendeu incentivos a investidores privados para o estabelecimento de infraestrutura crítica, incluindo fábricas de ração, incubadoras e matadouros. Essa medida tem sido fundamental para aumentar o envolvimento de pequenas e médias empresas (PMEs) na cadeia de suprimentos nacional. Um efeito positivo indireto está sendo observado na agricultura, já que os produtores de ração agora estão adquirindo mais milho e soja localmente, o que fortalece os vínculos agroindustriais e diminui a dependência de insumos importados.
Com base em uma sólida fundação do ano anterior, que registrou uma produção de aproximadamente 135.000 toneladas de carne de frango e cerca de 30 milhões de dúzias de ovos, o Ministro Albino afirmou que o país está se aproximando de sua meta de autossuficiência em aves. As importações agora representam menos de um quinto do consumo total de frango. Os dados do Ministério corroboram essa tendência, mostrando que as importações de carne de frango ficaram em cerca de 21.800 toneladas e as de ovos em 5,4 milhões de dúzias entre janeiro e setembro — um declínio notável em relação aos anos anteriores. Isso indica que os produtores locais estão atendendo de forma eficaz à demanda do consumidor com produtos avícolas de origem nacional e preços competitivos.
Apesar desses avanços significativos, o setor continua a enfrentar desafios relacionados ao fornecimento consistente de ingredientes de qualidade para ração e pintinhos de um dia em todas as regiões. O Diretor Nacional de Pecuária, Rafael Estevão, destacou que um volume substancial de matéria-prima para ração animal, principalmente milho e soja, ainda precisa ser importado. Essa dependência de insumos estrangeiros eleva diretamente os custos de produção, restringindo, consequentemente, a competitividade de preço e volume dos produtores locais. Contudo, a expansão do setor permanece um fator-chave para a geração de empregos, apoia empreendimentos rurais e cria oportunidades valiosas para jovens e mulheres no agronegócio, impulsionando o crescimento de pequenas e médias empresas (PMEs) nos setores de processamento, embalagem e distribuição.













































