MAPUTO — A Associação de Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) está expandindo um modelo de incubadora agrícola por todo o Moçambique, visando jovens empreendedores para impulsionar a produção nacional de alimentos e reduzir a dependência do país em relação às importações.
Desenvolvido em parceria com o Rural Impact Hub (RIHU) e desenvolvedores locais moçambicanos, o programa tem como base uma incubadora inicial, a Inagro, que opera atualmente em Nhamatanda, na província de Sofala. A iniciativa aborda um gargalo fundamental do setor: a desconexão persistente entre a formação acadêmica e a gestão prática de atividades agrícolas.
“Os jovens que nos procuram agricultores e outros, bem como estudantes de escolas de agricultura têm experiência prática muito limitada”, disse Firmino Cordeiro, Diretor-Geral da AJAP. “Os jovens não precisam necessariamente de muita experiência; precisam de alguma formação e, acima de tudo, de vontade de aprender.”
No âmbito do programa de um ano, os participantes gerem parcelas de terra dedicadas enquanto adquirem experiência prática em diversos subsetores, incluindo horticultura, fruticultura, pecuária, piscicultura e sistemas agroflorestais. O objetivo a longo prazo é estabelecer pelo menos uma incubadora em cada província moçambicana, capacitando, futuramente, até 500 jovens agricultores por ano.
A iniciativa surge num momento em que Moçambique busca modernizar o seu setor agrícola e proteger a economia contra choques nas cadeias de abastecimento globais. A AJAP destaca práticas agrícolas sustentáveis e apoiadas pela tecnologia, combinando conservação do solo, compostagem e gestão integrada da terra para melhorar as margens de lucro dos produtores locais.
“Queremos produzir mais, mas de forma sustentável, preservando os recursos naturais e aumentando a rentabilidade dos agricultores”, afirmou Cordeiro. “É um projeto de longo prazo. Não se trata apenas de cercar um pedaço de terra. Precisamos criar toda uma estrutura produtiva e educacional que permita aos jovens aprender na prática.”
Apresentado durante o seminário “Go to Market Mozambique” em Maputo um evento que reuniu representantes do governo e líderes empresariais de ambas as nações , o projeto visa transformar os formandos em operadores comerciais autossustentáveis.
“Nosso objetivo principal não é apenas capacitar pessoas”, observou Cordeiro. “É garantir que os jovens consigam se estabelecer, abrir negócios, encontrar emprego e receber apoio após concluírem sua formação.”








































