Nos campos castigados pelo sol da província de Maputo, no sul de Moçambique, o ritmo imprevisível das chuvas sazonais já não é o único fator determinante da colheita. Diante da realidade de padrões climáticos erráticos e de uma severa volatilidade do clima, o Ministério da Agricultura de Moçambique está voltando-se para tecnologias de ambiente controlado e infraestrutura localizada especificamente estufas e poços de alta produtividade para consolidar uma economia de hortaliças resiliente e capaz de produzir durante todo o ano.
Durante uma recente visita diplomática de campo ao distrito de Manhiça, delegações parlamentares da Alemanha e de Luxemburgo conheceram projetos de adaptação climática promovidos pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). A iniciativa oferece uma clara prova de conceito: o cultivo protegido, aliado à extração confiável de águas subterrâneas, pode reduzir efetivamente os riscos da atividade agrícola para os pequenos produtores.
Ao falar com legisladores em visita, Jabula Zibia, Diretor Nacional de Agricultura de Moçambique, destacou a necessidade imperativa de mudar os modelos básicos de produção.
“Queremos que a maioria dos agricultores deixe de depender da produção que depende das chuvas e passe a cultivar de forma mais sustentável, com maior segurança quanto à sua produção. A expansão dessas soluções exige a recuperação de sistemas de irrigação danificados por inundações e o aumento da perfuração de poços, proporcionando assim a mais agricultores o acesso a fontes alternativas de irrigação”, enfatizou Zibia.
Sementes de Autonomia e Capacidade Técnica
A estratégia mais ampla vai além das estruturas físicas. Para garantir a autonomia agrícola a longo prazo, o Ministério está colaborando com o Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola no desenvolvimento pioneiro de estoques genéticos de alta qualidade produzidos localmente.
“Essas sementes de primeira geração são fundamentais, pois determinam o volume de sementes certificadas que pode ser produzido localmente. A retomada da mecanização é outro componente necessário para impulsionar a produtividade”, observou Zibia.
No entanto, autoridades estatais ressaltam que os equipamentos sejam linhas de gotejamento, tratores ou estruturas de estufas só são eficazes se houver conhecimento agronômico para apoiá-los. Para suprir essa lacuna, Moçambique está investindo fortemente no capital humano, expandindo sua rede nacional de extensão agrícola.
“O conhecimento é a parte mais difícil”, ponderou Zibia. “É por isso que nossos serviços de extensão desempenham um papel importante.”
O Poder da Cooperação Direcionada
Para a delegação europeia em visita, observar essas transformações em nível comunitário evidenciou o retorno tangível do apoio internacional direcionado. Ao abandonar modelos de ajuda excessivamente centralizados em favor do investimento direto nas comunidades, os produtores locais ganham o impulso necessário para expandir suas operações de forma independente.
O deputado alemão Johannes Wagner destacou o caráter catalisador da ajuda direta após observar pequenos produtores em Manhiça manejando cultivos em ambiente protegido.
“Com o apoio inicial, as pessoas conseguem fazer o projeto crescer ainda mais e garantir que mais gente se beneficie dele. Farei o possível para divulgar a iniciativa na Alemanha e em Luxemburgo e defender a continuidade do apoio a Moçambique.”
À medida que os choques climáticos continuam a testar os sistemas alimentares da África Subsaariana, a abordagem integrada de Moçambique que combina genética moderna de sementes, reabilitação de infraestrutura e capacitação em extensão rural oferece um modelo escalável para construir a resiliência econômica rural a partir da base.










































