Após as inundações devastadoras no sul de Moçambique, a principal região agrícola do país volta-se para um futuro de alto risco e impulsionado pela tecnologia. O governo moçambicano revelou um plano ambicioso para investir cerca de US$ 2 bilhões (1,4 bilhão de euros) no setor agrícola nos próximos quatro anos, com o objetivo de transformar a agricultura de pequena escala em um motor de alta produtividade para a economia nacional.
Durante uma visita recente para acompanhar os esforços de recuperação pós-inundações na província de Gaza, o Ministro do Planejamento e Desenvolvimento, Salim Valá, detalhou a estratégia do país para impulsionar a produtividade rural. Ele ressaltou que o aporte de capital contemplará tanto os pequenos agricultores tradicionais quanto os setores agrícolas de alto potencial em todo o país.
“Estamos falando de US$ 2 bilhões ao longo de quatro anos para realizar investimentos maciços e substanciais na agricultura, visando aumentar a produtividade especialmente entre pequenos produtores, mas também nas cadeias de valor mais promissoras.” Salim Valá, Ministro do Planejamento e Desenvolvimento
Essa iniciativa ousada visa transformar as condições de vida de mais de dois milhões de produtores. O ponto de partida dessa reformulação agrícola concentrar-se-á fortemente nos principais polos agrícolas da província de Gaza, especificamente nos sistemas de irrigação de Chókwè e do Baixo Limpopo. Mais do que simplesmente repor as culturas perdidas, o governo pretende transitar para uma abordagem agrícola modernizada e com embasamento científico. A estratégia combina serviços de extensão rural de ponta e pesquisas especializadas com ferramentas práticas: sementes melhoradas, fertilizantes avançados, controle de pragas, maquinário moderno e infraestrutura de irrigação resiliente ao clima.
No entanto, equipamentos modernos representam apenas metade do desafio. Líderes do setor defendem que a revolução agrícola de Moçambique não terá êxito sem que se supere a exclusão tecnológica. Na 21.ª Conferência Anual do Setor Privado, representantes do setor privado instaram o Estado a priorizar a literacia digital e o acesso à informação para as comunidades rurais, ressaltando que dados em tempo real são fundamentais para proteger as culturas contra padrões climáticos cada vez mais severos.
“É preciso implementar serviços que melhorem a informação disponível para os agricultores especialmente no que diz respeito a tempestades e pragas juntamente com sistemas de educação dedicados a facilitar a transformação digital.” Mohamed Zameer Adam, Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA)
A urgência da modernização é sustentada por realidades econômicas contundentes. Embora cerca de 70% da população de Moçambique dependa da agricultura para sua subsistência, o setor responde atualmente por modestos 25% do Produto Interno Bruto nacional. Especialistas atribuem essa disparidade, em grande parte, a ineficiências sistêmicas, incluindo a capacidade limitada do Estado de identificar e integrar adequadamente os cidadãos rurais às principais redes econômicas e de apoio. Ao combinar US$ 2 bilhões em investimentos de capital com inovação digital, Moçambique busca mais do que apenas a recuperação: está lançando as bases para um futuro agrícola resiliente e modernizado.












































