Moçambique está estrategicamente reorientando seu setor agrícola, passando de uma produção predominantemente de subsistência para um modelo gerador de renda, um esforço nacional crucial detalhado por Jaime Chissico, diretor nacional de Cooperação e Investimento do Ministério da Agricultura. Essa transição, fundamental para substituir as importações de alimentos e garantir a renda dos produtores, enfrenta desafios sistêmicos formidáveis, incluindo baixas taxas de produção e produtividade generalizadas, severas restrições impostas pelas mudanças climáticas, déficits críticos de infraestrutura e uma persistente falta de pesquisa agrícola robusta.
O governo já delineou cadeias de valor específicas – milho, aves, soja, leguminosas, hortaliças e carne vermelha – para impulsionar essa comercialização, baseando a seleção na balança comercial do país e na adequação climática. Com o início da nova estação chuvosa de 2025/2026 em outubro, a urgência de modernizar o setor é palpável. Chissico enfatizou a necessidade de investimentos significativos em tecnologias de sementes de alta qualidade para aumentar a produtividade, melhorar o controle de pragas e doenças por meio de medidas de biossegurança e modernizar urgentemente os sistemas de irrigação do país. Uma estratégia organizacional fundamental envolve o aproveitamento do poder das cooperativas para estabelecer blocos de produção nacionais mais fortes, o que facilitará a assistência técnica e ajudará a fomentar um setor agrícola independente. Crucialmente, as autoridades também estão em processo de criação de linhas de crédito dedicadas para melhorar o acesso ao financiamento para o setor, que recebeu investimentos substanciais de aproximadamente US$ 1,1 bilhão (€ 952,9 milhões) nos últimos cinco anos.
Um pilar significativo desta estratégia de revitalização é o fortalecimento da cooperação com o Brasil. Em seu discurso no fórum empresarial Moçambique-Brasil, em Maputo, Chissico expressou grande interesse no intercâmbio técnico, particularmente para a formação de pesquisadores e técnicos e a adoção do melhoramento genético brasileiro para novas variedades de sementes adaptáveis ao clima. A parceria também visa o setor pecuário, com planos para o melhoramento do gado por meio da transferência de embriões e a criação de novos laboratórios. Esse desejo por uma colaboração mais profunda surge em um momento em que o comércio bilateral ultrapassou US$ 100 milhões (€ 87,6 milhões) em 2024, embora a Confederação das Associações Econômicas de Moçambique (CTA) observe que esse valor ainda é insuficiente, considerando o potencial. Os próprios dados do Brasil para 2023 refletem essa sub-representação, mostrando seu investimento total em Moçambique em modestos US$ 15 milhões (€ 13,03 milhões), classificando o país em 71º lugar na lista de investimentos estrangeiros, o que reforça o objetivo mútuo de diversificar e aprofundar os laços econômicos.













































