Moçambique está acelerando os esforços para transformar seu setor agrícola, passando da agricultura de subsistência de baixa produtividade para um modelo comercial gerador de renda, apesar dos obstáculos significativos apresentados pelas mudanças climáticas, financiamento limitado e pesquisa agrícola subdesenvolvida. O diretor nacional de Cooperação e Investimento do Ministério da Agricultura, Jaime Chissico, destacou esse imperativo nacional durante o fórum empresarial Moçambique-Brasil em Maputo.
O Sr. Chissico identificou os principais desafios como os baixíssimos níveis de produção e produtividade, juntamente com a ameaça persistente das mudanças climáticas e problemas fundamentais de infraestrutura. Para garantir a renda dos produtores e reduzir a conta de importações do país, o governo definiu cadeias de valor agrícolas essenciais com base nas condições climáticas e em dados da balança comercial. Essas cadeias se concentram em milho, aves, soja, leguminosas, hortaliças e carne vermelha.
A estratégia prevê um grande investimento em tecnologia de sementes de alta qualidade com alto potencial de rendimento, bem como uma revisão completa do controle de pragas e doenças e dos padrões de biossegurança. A modernização da agricultura, incluindo sistemas de irrigação aprimorados e uma definição clara dos papéis das partes interessadas, também é uma prioridade. Além disso, o governo pretende alavancar o poder das cooperativas para criar e fortalecer blocos de produção nacionais, o que facilitará a assistência técnica e fomentará um setor agrícola independente. Em uma medida crucial para enfrentar o desafio do financiamento, as autoridades moçambicanas estão em processo de estabelecimento de linhas de crédito dedicadas ao setor agrícola.
Moçambique busca ativamente fortalecer a cooperação com o Brasil, particularmente para a formação de pesquisadores e técnicos e o intercâmbio de resultados de pesquisa. O Sr. Chissico destacou o status avançado do Brasil no melhoramento genético para novas variedades de sementes adaptadas ao clima. Espera-se também que a cooperação se estenda ao setor pecuário, com foco na melhoria da qualidade do gado por meio da transferência de embriões e da construção de novos laboratórios.
Este esforço para aprofundar a cooperação bilateral surge num contexto em que o comércio entre os dois países ainda está em fase inicial. De acordo com a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), o comércio ultrapassou os 100 milhões de dólares americanos (87,6 milhões de euros) em 2024, um valor considerado insuficiente para corresponder ao objetivo declarado de uma relação bilateral diversificada. Dados do Banco Central do Brasil para 2023 mostram Moçambique na 71ª posição na lista de investimentos brasileiros no exterior, com apenas 15 milhões de dólares americanos (13,03 milhões de euros) investidos. O setor agrícola, contudo, já recebeu um aporte de aproximadamente 1,1 mil milhões de dólares americanos (952,9 milhões de euros) em investimentos nos últimos cinco anos, segundo dados oficiais, o que sublinha o potencial de crescimento.
















































