Cabo Delgado, a província de Moçambique devastada pela guerra, ganhou as manchetes nos últimos anos pelas suas vastas reservas de Gás Natural Liquefeito (GNL) e pela insurreição brutal que ameaçou o seu desenvolvimento. Mas à medida que a segurança melhora e a normalidade regressa, surge uma história diferente – a da abundância agrícola.
A província está à beira de uma colheita abundante, com estimativas sugerindo um aumento de 5% no rendimento em comparação com a época anterior. Nocif Magaia, director provincial da Indústria e Comércio de Cabo Delgado, disse à Rádio Moçambique: “Pretendemos comercializar mais de 1,3 milhões de toneladas de vários produtos agrícolas”.
Isto traduz-se não apenas em celeiros volumosos, mas também num potencial aumento económico. “A produção agrícola poderá gerar mais de 8 mil milhões de meticais (aproximadamente 125,5 milhões de dólares)”, disse Magaia, destacando os benefícios financeiros inesperados que uma colheita bem-sucedida pode trazer.
A reviravolta é atribuída em parte à intervenção da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SAMIM) e das Forças de Defesa do Ruanda em Julho de 2021. Os seus esforços ajudaram a fazer recuar a insurgência, criando um ambiente mais estável para os agricultores regressarem aos seus campos.
“A colheita desta época poderá ser um factor de mudança nos preços dos alimentos na província”, continuou Magaia. A insurreição interrompeu os canais de produção e distribuição de alimentos, provocando escassez e inflação. Uma colheita abundante tem o potencial de inverter essa tendência, tornando os alimentos mais acessíveis e baratos para os residentes de Cabo Delgado.
A recompensa não se limita apenas aos alimentos básicos. As culturas de rendimento, como a castanha de caju e o algodão, também deverão registar um aumento significativo no rendimento. Isto poderia proporcionar um rendimento tão necessário aos agricultores e contribuir para a diversificação económica da província, ultrapassando a sua dependência do GNL.
No entanto, os desafios permanecem. Magaia enfatizou a necessidade de “apoio logístico eficaz” para garantir que os produtos cheguem aos mercados. O desenvolvimento de infra-estruturas e o investimento em instalações de armazenamento serão cruciais para evitar perdas pós-colheita e maximizar os benefícios da colheita.
Apesar destes desafios, o ressurgimento agrícola em Cabo Delgado oferece um vislumbre de esperança. Demonstra o potencial da província para ser não apenas um centro energético, mas também um celeiro, contribuindo para a segurança alimentar e a prosperidade económica. Como conclui Magaia, “Esta colheita é uma prova da resiliência do nosso povo. É um sinal de que Cabo Delgado não se trata apenas de GNL; trata-se de crescimento, recuperação e um futuro melhor”.













































