Apesar do trabalho árduo da colheita, uma sombra paira sobre grande parte de Moçambique. Nas regiões sul e centro, as famílias enfrentam os efeitos devastadores da seca, uma reviravolta cruel que deixou os celeiros vazios e as barrigas a roncar.
Embora a colheita traga um vislumbre de esperança, é uma esperança temperada pela realidade. O domínio abrasador do El Niño sufocou o rendimento das colheitas, com até as zonas mais produtivas do país – os celeiros de Tete, Zambézia, Sofala e Manica – a sofrerem uma produção abaixo da média. A colheita deste ano deverá ficar aquém da média do ano passado e da média dos últimos cinco anos, uma perspectiva sombria para milhões de pessoas que dependem da terra para a sua sobrevivência.
A situação é particularmente terrível para as famílias mais pobres. Uma recente avaliação de segurança alimentar realizada pela FEWS NET pintou um quadro sombrio: os celeiros, geralmente transbordando de cereais vitais, estão assustadoramente vazios. Com opções limitadas, estas famílias lutam para pagar os preços altíssimos do mercado, deixando-as à beira da crise.
Um farol de esperança surge na forma de assistência humanitária. Em Abril, os parceiros do Cluster de Segurança Alimentar forneceram ajuda alimentar de emergência a quase 400.000 pessoas, oferecendo uma tábua de salvação num momento de dificuldades. No entanto, esta é apenas uma gota no oceano. Em Maio, apenas 18% dos recursos necessários para o plano de resposta foram garantidos. Este défice suscita sérias preocupações, especialmente nas regiões sul e centro atingidas pela seca, onde as necessidades já são prementes.
Entretanto, o conflito em Cabo Delgado lança uma longa sombra. Os recursos são compreensivelmente desviados para o norte para fazer face à escalada da violência e do deslocamento. Isto faz com que as comunidades que já enfrentam a seca se sintam ainda mais marginalizadas.
Um raio de luz brilha no norte, no entanto. A melhoria da segurança em Cabo Delgado permitiu uma colheita mais produtiva, levando a uma queda significativa nos preços do milho. Esta história de sucesso localizada oferece uma ideia do que é possível com melhor suporte e um retorno à normalidade.
Os próximos meses são críticos para Moçambique. À medida que as reservas alimentares diminuem e a época de escassez se aproxima, a necessidade de assistência internacional torna-se cada vez mais urgente. Sem um esforço concertado, a crise actual ameaça agravar-se, empurrando milhões de pessoas ainda mais para a fome e o desespero. A hora de agir é agora.













































