A Associação dos Produtores de Açúcar de Moçambique (APAMO) solicitou uma revisão imediata e abrangente das normas de fortificação de produtos no país, citando desafios persistentes no controle de qualidade e a presença significativa de importações não fortificadas nos mercados locais. O apelo foi feito durante a 20ª Conferência Anual do Setor Privado (CASP) em Maputo, que teve como foco a retomada econômica e contou com discussões sobre projetos avaliados em US$ 1,5 bilhão (€ 1,288 bilhão).
O Diretor Executivo da APAMO, Orlando da Conceição, destacou o duplo desafio enfrentado tanto pela indústria quanto pelo governo em relação à qualidade do produto. Embora reconhecendo a possibilidade de melhorias internas, Conceição enfatizou que o obstáculo mais formidável continua sendo a inspeção das importações nas fronteiras e nos mercados. Ele afirmou que os fabricantes locais que fortificam seus produtos são prejudicados quando alternativas mais baratas e não fortificadas têm permissão para entrar e circular livremente, anulando, na prática, os esforços de saúde pública.
Conceição fez um apelo enfático por uma ação rápida na frente regulatória, observando: “Seria bom se não esperássemos mais 10 anos para revisar isso, porque esta [fortificação de produtos] é uma questão nova para todos”. Isso reforça a visão da indústria de que a estrutura atual está desatualizada e requer monitoramento e adaptação contínuos para combater efetivamente a desnutrição em Moçambique.
O apelo por uma melhor fiscalização foi ecoado pelo governo. Eduarda Mungoi, coordenadora nacional do Programa de Fortificação de Alimentos do Ministério da Economia, também enfatizou o papel crucial da fortificação na saúde pública equilibrada, observando a importância do treinamento e da conscientização da comunidade, juntamente com o progresso regulatório.
A CASP 2025, que atraiu mais de 2.000 participantes e 40 palestrantes sob o tema “Reformar para Competir: Caminhos para o Relançamento Econômico”, serviu como uma plataforma fundamental para este diálogo. A conferência, que começou na quarta-feira, também incluiu a Mozambique Home Expo, uma exposição destinada a estimular o acesso à moradia acessível. A intervenção da APAMO destaca uma intersecção crítica entre a política comercial, as normas de fabrico e a saúde pública que as autoridades moçambicanas devem abordar para garantir a concorrência leal e a segurança do consumidor.













































