Os governos de Moçambique e do Zimbabwe assinaram três acordos sobre a protecção e utilização da água transfronteiriça face às alterações climáticas. Os rios que atravessam os dois países incluem o Buzi, Pungoé e Save.
O ministro moçambicano das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Carlos Mesquita, acaba de concluir uma visita de Estado ao Zimbabwe. Durante a visita, foram assinados três acordos com Anxious Masuka, Ministro das Terras, Agricultura, Água e Reassentamento Rural do Zimbabué, incluindo um relativo à criação da Comissão das Bacias dos Rios Buzi, Pungoé e Save. “É nestas bacias que construímos as barragens hidroeléctricas de Chicamba, Mavuzi, Muda Nhaurire e Gorongosa, projectos vitais para o desenvolvimento económico de Moçambique, pelo seu contributo para o abastecimento de água à população, produção agrícola, electricidade, abastecimento de água à indústria e preservação do meio ambiente”, diz Carlos Mesquita.
Moçambique partilha estes três rios com o Zimbabwe. Além disso, existem as bacias do Limpopo e do Zambeze. O segundo acordo, assinado a 18 de maio de 2023 em Harare, capital do Zimbabué, diz respeito ao acolhimento da Comissão das Bacias dos Rios Buzi, Pungoé e Save. Esta comissão trabalhará para melhorar os sistemas de previsão e alerta de cheias e secas, nomeadamente através do fornecimento de dados, e para estabelecer mecanismos de resposta a eventos extremos.
O terceiro acordo assinado entre os governos de Moçambique e do Zimbabwe diz respeito ao desenvolvimento, gestão e uso sustentável dos recursos hídricos na bacia do rio Save. Este acordo poderá traduzir-se “na mobilização conjunta de fundos para a concretização de um projeto conjunto num raio de 200 km (100 km de cada lado)”, segundo o Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos de Moçambique.
No Zimbabwe, será construída uma barragem em Chipanda Pool com uma capacidade de 510 milhões de m3, bem como uma segunda barragem em Chitowe com uma capacidade de 50 milhões de m3. Estas infraestruturas estarão localizadas a cerca de 70 km da fronteira com Moçambique. O sistema de alocação será definido quando os fundos forem mobilizados. E do lado de Moçambique, um conjunto de novas barragens deverá regular os caudais e estimular o desenvolvimento da agricultura e pecuária nas províncias de Gaza, Manica, Sofala e Inhambane.













































