Incêndios descontrolados destruíram pelo menos 600 hectares de floresta na província de Inhambane, em Moçambique, de acordo com as autoridades ambientais provinciais, um número que, segundo as autoridades, quase certamente subestima a verdadeira extensão dos danos.
“Em termos numéricos, estamos a falar de aproximadamente 600 hectares registados, mas sabemos que há muito mais do que isso”, disse Renato Bata, diretor dos Serviços Ambientais Provinciais em Inhambane. Os incêndios estão concentrados nas zonas tampão das áreas de conservação, com registos preocupantes em redor do Parque Nacional de Zinave, dentro do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto e em toda a Reserva Nacional de Pomene. As causas são conhecidas e persistentes, com a caça furtiva, as queimadas agrícolas e a procura de pastagens para o gado a impulsionar a maioria dos incêndios descontrolados. As autoridades têm realizado campanhas de educação ambiental centradas no combate a esta prática, mas a dimensão do desafio está a aumentar em vez de diminuir.
“Incutimos na comunidade a necessidade de proteger os recursos naturais disponíveis”, observou Bata, numa mensagem que claramente ainda não está a chegar ao público necessário. Os números de Inhambane inserem-se num panorama nacional profundamente preocupante. Moçambique perde anualmente cerca de 500 milhões de dólares devido a práticas florestais insustentáveis, como a exploração ilegal de madeira e a agricultura de “corte e queima”, de acordo com o Conselho de Gestão Florestal (FSC). Entre 2019 e 2022, a desflorestação em todo o país afetou 875.453 hectares, com as províncias do Niassa e da Zambézia a registarem as maiores perdas. O pico foi registado em 2021, quando foram desmatados 303.689 hectares, incluindo 264.999 hectares de floresta tropical. Embora 2022 tenha registado uma redução de 31% na desflorestação em comparação com o ano anterior, as pressões subjacentes que impulsionam a perda florestal não foram abordadas de forma estrutural e os incêndios de Inhambane são um lembrete de quão rapidamente o progresso pode desfazer-se.










































