Os bancos comerciais de Moçambique viram as suas reservas obrigatórias mantidas no banco central atingirem um novo máximo histórico, suscitando preocupações sobre o impacto na economia. Em Julho, estas reservas atingiram surpreendentes 258,224 mil milhões de meticais (3,634 mil milhões de euros), superando o recorde anterior estabelecido apenas um mês antes.
O Banco de Moçambique tem aumentado constantemente o rácio de reservas dos bancos comerciais desde o início de 2023, citando a necessidade de absorver o excesso de liquidez e de conter as pressões inflacionistas. Embora o banco central argumente que estas medidas são necessárias para manter a estabilidade financeira, os críticos afirmam que elas estão a sufocar o crescimento económico e a tornar mais difícil às empresas o acesso ao crédito.
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) tem-se manifestado veementemente na sua oposição aos elevados rácios de reservas. De acordo com a CTA, o aumento dos custos associados à detenção de reservas está a tornar mais dispendiosa a obtenção de financiamento pelas empresas, especialmente para as pequenas e médias empresas. Isto, por sua vez, está a dificultar o investimento e a actividade económica.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) também opinou sobre a questão, instando o Banco de Moçambique a reduzir os rácios de reservas. O FMI argumenta que estes níveis elevados não são necessários para absorver o excesso de liquidez e podem estar a prejudicar a economia.
Apesar dos apelos das empresas e do FMI, o Banco de Moçambique manteve os elevados rácios de reservas, citando a necessidade de garantir a estabilidade financeira. No entanto, a decisão gerou preocupações crescentes sobre o seu impacto na economia, especialmente à luz da contínua escassez de moeda estrangeira.
Empresários em Moçambique têm relatado dificuldades em efetuar pagamentos no exterior devido à falta de moeda estrangeira no sistema bancário. Isso gerou atrasos nos pagamentos, multas e quedas no faturamento. A CTA estima que as necessidades não satisfeitas de importações ou pagamentos no estrangeiro já ascendem a 400 milhões de dólares (358 milhões de euros) em 2024.
Os elevados rácios de reservas também estão a exacerbar a escassez de moeda estrangeira. Ao vincular uma parte significativa dos recursos dos bancos, o banco central está a limitar a sua capacidade de comprar moeda estrangeira no mercado. Isto, por sua vez, está a aumentar o custo das divisas e a tornar mais difícil para as empresas cumprirem as suas obrigações de importação.
À medida que o Banco de Moçambique se prepara para a sua próxima reunião do Comité de Política Monetária, no dia 30 de Setembro, há uma expectativa crescente de que irá abordar as preocupações levantadas pelas empresas e pelo FMI. Ainda não se sabe se o banco central optará por reduzir os rácios de reservas, mas a decisão poderá ter implicações significativas para a economia moçambicana.










































