Moçambique optou por manter o preço de referência ao produtor para a castanha de caju nos 45 meticais (€ 0,61) por quilo para a próxima campanha 2025/2026. A decisão visa garantir a sustentabilidade a longo prazo do setor, que apresenta uma das culturas comerciais mais importantes e de crescimento mais rápido do país.
O preço foi fixado durante a primeira sessão anual do Comité das Oleaginosas, em Maputo. O Secretário de Estado do Mar e Pescas, Momade Juízo, defendeu o preço, argumentando que proporciona um incentivo e uma remuneração “justa” aos participantes em toda a cadeia de valor.
“Vamos manter o preço de referência nos 45 meticais [por quilo] e monitorizar a evolução das condições de mercado”, afirmou Juízo, deixando a porta aberta para uma reavaliação caso a dinâmica do mercado se altere.
Indústria sob Pressão
A medida surge numa altura em que a indústria nacional de transformação de caju enfrenta dificuldades financeiras significativas. Tribunal observou que a situação macroeconómica prevalecente levou ao aumento dos custos de produção, obrigando ao encerramento de várias unidades de transformação devido à falta de capital e de matéria-prima. A protecção do preço base dos produtores é vista como fundamental para evitar uma maior erosão do sector.
Ambições de Exportação e Recuperação Histórica
Moçambique procura, simultaneamente, alargar os seus horizontes de exportação. O governo anunciou que se prepara para assinar um memorando de entendimento com a China para abrir um novo mercado para as exportações de caju e macadâmia. Espera-se que este acordo beneficie significativamente os produtores, processadores e exportadores, diversificando e expandindo as oportunidades de comercialização.
O setor atingiu recentemente um marco histórico, com a comercialização de 195.400 toneladas na campanha 2024/2025, aproximando-se dos níveis recorde da década de 1970. As exportações de caju representam já uma importante fonte de divisas, liderando a categoria dos “produtos tradicionais”, com 38,7 milhões de dólares no primeiro trimestre.
O governo estima que a produção aumente mais 23% este ano, para 218.900 toneladas. Esta recuperação permitiu a Moçambique recuperar a sua proeminência como grande produtor global, ocupando agora o sétimo lugar a nível mundial, uma recuperação notável do colapso da produção pós-independência. A cadeia de valor das oleaginosas é crucial para o emprego rural, envolvendo mais de 1 milhão de famílias e apoiando milhares de trabalhadores em todo o país.













































