As aspirações de Moçambique para a modernização agrícola enfrentam obstáculos significativos, dado que as mulheres e os jovens continuam excluídos do acesso a financiamento essencial, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Numa intervenção na primeira reunião do Comité de Coordenação do Sector Agrícola (CCSA), o representante da FAO, José Fernandez, sublinhou que, apesar dos progressos recentes, persistem profundas desigualdades no acesso a recursos e serviços.
“As mulheres e os jovens rurais continuam a estar sub-representados nas cadeias de valor, nos processos de produção e na divisão do trabalho”, afirmou Fernandez. Defendeu que desbloquear o seu potencial através de políticas inclusivas e medidas de resiliência climática é crucial para a sustentabilidade do sector a longo prazo.
A Pressão pelo Capital Privado
O representante da FAO enfatizou a necessidade de um maior investimento por parte do sector privado para impulsionar a inovação e criar emprego de qualidade.
“O sector privado, quando devidamente empenhado, pode acelerar a modernização da agricultura e das pescas, expandir o acesso ao mercado e apoiar o desenvolvimento regional equilibrado”, disse Fernandez.
O apelo ao capital surge numa altura em que o Ministro da Agricultura, Roberto Albino, critica a contínua dependência do país da importação de alimentos, insistindo que Moçambique tem capacidade de auto-suficiência local. Albino instou os agricultores a priorizarem a produção competitiva para atender ao mercado interno.
Impulso no Financiamento Alemão
O foco no financiamento agrícola recebeu um impulso oportuno com o anúncio de que a Alemanha, através do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), irá disponibilizar 45,5 milhões de euros (49 milhões de dólares) em financiamento.
O mecanismo de financiamento, denominado FINOVA, foi especificamente concebido para apoiar as micro, pequenas e médias empresas (MPME) do setor agrícola. No lançamento em Maputo, o Ministro do Planeamento e Desenvolvimento, Salim Valá, destacou a aposta do fundo alemão na criação de emprego e no aumento dos rendimentos na vasta economia rural do país.













































