TETE – As autoridades ambientais moçambicanas desferiram um duro golpe nas operações de extração ilegal de madeira na província central de Tete, desmantelando uma serraria clandestina e apreendendo 37,6 metros cúbicos de madeira valiosa. A operação, conduzida pela Agência Nacional de Controle da Qualidade Ambiental (AQUA), teve como alvo um local onde espécies de alto valor, incluindo Chanfuta e Umbila, estavam sendo preparadas para transporte ilegal. A apreensão ocorre em um momento particularmente sensível para o setor, já que o país permanece dentro do período legal de defeso –um período de 1º de janeiro a 31 de março, durante o qual toda a extração de madeira é estritamente proibida para permitir a regeneração do ecossistema.
O momento estratégico da operação destaca uma tendência crescente em que os caçadores furtivos tentam se aproveitar da escassez de mercado durante o período de proibição. De acordo com representantes da AQUA, a serraria ilegal estava sendo usada como ponto de distribuição para toras destinadas ao mercado internacional de exportação, burlando as regulamentações florestais cada vez mais rigorosas do país. Esta última ação de fiscalização faz parte de uma postura mais ampla de “tolerância zero” adotada pelo governo, que recentemente reforçou os recursos da agência para garantir que as operações de monitoramento permaneçam robustas, mesmo em corredores florestais remotos.
“Durante este período de defesa, há escassez de madeira nos mercados, e os caçadores furtivos tendem a intensificar essas ações”, afirmou Joaquim Laquene, delegado da AQUA na província de Tete. “Continuaremos as inspeções em todos os pontos”, acrescentou, tranquilizando o público e as partes interessadas do setor de que a agência possui a capacidade logística necessária para manter o ritmo de vigilância.
Os riscos econômicos desses crimes ambientais são enormes. Dados do Forest Stewardship Council (FSC) sugerem que Moçambique perde aproximadamente US$ 500 milhões anualmente devido a práticas insustentáveis, incluindo exclusão ilegal de madeira e agricultura de corte e queima. Essa perda fiscal é particularmente importante, dada a recente decisão do Conselho de Ministros de aumentar a cota de colheita sustentável para 2026 para 555.000 metros cúbicos um aumento em relação aos anos anteriores destinado a apoiar a economia formal, mantendo o equilíbrio ecológico.
Apesar da persistente ameaça do desmatamento, que consumiu mais de 875.000 hectares entre 2019 e 2022, indicadores recentes mostram um vislumbre de progresso. Estatísticas nacionais revelam que as taxas de desmatamento caíram 31% em 2022 em comparação com o pico de 2021, embora as províncias de Niassa e Zambézia permaneçam zonas de alto risco. A transição para uma cadeia de valor da madeira mais transparente e certificada é vista como essencial para que Moçambique cumpra seus compromissos do Acordo de Paris, incluindo a meta de redução de 76,5 milhões de toneladas de emissões de carbono até 2030.













































