As alterações nos padrões climáticos estão a moldar cada vez mais a forma como os avicultores gerem as suas operações na África do Sul. Desde o aumento das temperaturas até aos períodos mais frios e húmidos, a variabilidade climática está a afectar a saúde das aves, a eficiência da produção e o custo total da criação de aves.
De acordo com uma investigação publicada na revista Discover Sustainability, a procura global de produtos avícolas deverá quadruplicar até 2050, à medida que os padrões de vida melhoram. No entanto, as alterações climáticas estão a exercer uma pressão crescente sobre a produção avícola, afectando a qualidade da ração, a disponibilidade de água, a prevalência de doenças e a reprodução.
Ao mesmo tempo, a indústria avícola contribui com aproximadamente 8% das emissões de gases com efeito de estufa relacionadas com a pecuária. Por conseguinte, o sector tem um papel importante a desempenhar na redução das emissões, ao mesmo tempo que reforça a segurança alimentar global através da adaptação climática e de práticas de produção sustentáveis.
Impacto das alterações climáticas
O responsável técnico Phiri Tau e o veterinário Vinoliah Makuwa, da Rainbow Chicken, analisaram os principais desafios enfrentados pelos produtores e partilharam estratégias práticas para os ajudar a construir explorações avícolas mais resilientes às alterações climáticas.
De acordo com Tau e Makuwa, os efeitos das alterações climáticas já se fazem sentir nas explorações de todo o país.
“As alterações climáticas estão a tornar a avicultura mais complexa e dispendiosa. As temperaturas extremas, sejam de calor ou de frio, aumentam o custo de produção, uma vez que os produtores precisam de investir em melhores instalações e equipamentos adicionais para lidar com estas condições de forma eficaz. Isto, por sua vez, tem impacto no custo total da criação de frangos e pode influenciar os preços de mercado”, explicam Tau e Makuwa.
À medida que as temperaturas flutuam de forma mais drástica, os produtores avícolas são cada vez mais obrigados a investir em infraestruturas que protejam as aves do stress ambiental.
Tau e Makuwa partilham as seguintes dicas práticas para ajudar os avicultores a preparar-se para condições de calor e frio, mantendo efetivos saudáveis e produtivos.
- Reduza o stress térmico através do maneio adequado das instalações
O stress térmico é um dos maiores riscos durante o tempo quente, especialmente em aviários com ventilação inadequada.
“Reduzir o stress térmico começa com a garantia de uma ventilação adequada dentro dos aviários, apoiada por sistemas de arrefecimento eficazes que ajudam a regular a temperatura. O controlo da densidade populacional é igualmente importante, uma vez que a sobrelotação limita o fluxo de ar e aumenta a retenção de calor. Criar um ambiente bem ventilado e com um espaçamento adequado é fundamental para manter a saúde das aves durante as altas temperaturas”, afirma Makuwa.
Ajustes simples no maneio, como melhorar o fluxo de ar e evitar a sobrelotação, podem reduzir significativamente as perdas relacionadas com o calor.
- Como é que o stress térmico afeta a produção e a mortalidade
Se não for gerido de forma eficaz, as altas temperaturas podem ter consequências graves para o desempenho do lote.
“O stresse térmico tem um impacto direto tanto na produção como na mortalidade. As aves tendem a reduzir a ingestão de ração a altas temperaturas, o que leva a um crescimento mais lento e a um menor ganho de peso diário.
“As aves mais velhas são particularmente vulneráveis, pois têm dificuldade em regular a temperatura corporal. Em casos graves, isto pode levar a complicações relacionadas com o calor, incluindo insuficiência cardíaca e aumento das taxas de mortalidade”, observam Tau e Makuwa.
Por conseguinte, os produtores devem monitorizar de perto o comportamento das aves e as condições ambientais durante o tempo quente.
- Prepare os pavilhões para o tempo frio e húmido
As condições frias e húmidas também apresentam riscos, principalmente para as aves jovens.
“A preparação para o tempo frio ou húmido requer instalações adequadas para a criação e equipamento fiável para manter temperaturas estáveis, especialmente para as aves jovens. Além disso, garantir que os pavilhões têm uma ventilação adequada é essencial para controlar os níveis de humidade, que tendem a aumentar durante condições mais frias ou húmidas”, afirmam Tau e Makuwa.
Manter um ambiente estável é fundamental para prevenir o stress e manter as taxas de crescimento.
- Controle a humidade e as condições da cama
As condições húmidas nos aviários podem rapidamente causar problemas de saúde.
“As condições frias e húmidas levam frequentemente ao aumento da humidade dentro dos aviários, o que resulta numa cama molhada. Isto cria um ambiente onde o amoníaco se pode acumular, afetando negativamente a saúde respiratória das aves. A cama molhada pode também causar problemas físicos, como bolhas ou queimaduras de amoníaco nos pés das aves, o que impacta ainda mais o seu bem-estar e produtividade”, alertam os especialistas.
Uma boa ventilação e uma gestão adequada da cama são, portanto, essenciais durante os períodos húmidos.
- Implemente medidas rigorosas de biossegurança
Práticas rigorosas de biossegurança ajudam a proteger os lotes de surtos de doenças, que podem tornar-se mais prováveis quando as aves estão sob stress ambiental.
“Uma biossegurança rigorosa começa com a demarcação clara da área de produção, geralmente através de vedações adequadas, para limitar a exposição. Controlar o acesso ao local de produção é igualmente importante, garantindo que apenas pessoas autorizadas podem entrar”.
“Além disso, todos os equipamentos, veículos e materiais que entram ou saem da área devem ser devidamente desinfectados para reduzir o risco de introdução e propagação de doenças”, explicam Tau e Makuwa.
Estas medidas ajudam a prevenir a introdução e a disseminação de agentes patogénicos nas explorações avícolas.
- Reconhecer a ligação entre o stress ambiental e as doenças
O stress ambiental pode enfraquecer o sistema imunitário das aves, tornando-as mais vulneráveis a doenças.
Existe uma forte ligação entre o stress ambiental e os surtos de doenças. O stress térmico enfraquece o sistema imunitário, tornando as aves mais suscetíveis a infeções. Da mesma forma, condições precárias de alojamento, incluindo pó, acumulação de amoníaco e fluxo de ar inadequado, podem danificar o sistema respiratório e aumentar a probabilidade de doenças respiratórias.”
Manter boas condições ambientais nos aviários é, por isso, uma estratégia fundamental de prevenção de doenças.
- Planeie para a variabilidade climática
O planeamento proativo pode ajudar os agricultores a minimizar o impacto dos eventos climáticos extremos.
Tau e Makuwa explicam: “Os agricultores podem adotar uma abordagem mais proativa investindo em pavilhões avícolas bem concebidos e equipados para lidar com condições meteorológicas extremas. Isto inclui garantir uma ventilação adequada, controlo da temperatura e instalações que suportem tanto o calor como o frio.
Ao mesmo tempo, manter-se informado sobre as previsões meteorológicas é fundamental, pois permite aos agricultores antecipar as mudanças e preparar-se com antecedência, em vez de reagir depois de as condições já terem afetado a produção.”
A preparação permite aos agricultores proteger as suas aves e evitar interrupções dispendiosas.
- Utilize o apoio e a formação disponíveis
O acesso à informação e às ferramentas adequadas pode ajudar os agricultores a adaptarem-se às alterações das condições ambientais.
“O apoio aos agricultores inclui o acesso a formação sobre como lidar com condições meteorológicas extremas, tanto de calor como de frio, bem como o acesso a equipamento adequado. Estes recursos ajudam os agricultores a desenvolver o conhecimento e a capacidade necessários para operar eficazmente em condições ambientais variáveis”, observam.
À medida que a variabilidade climática continua a afectar a agricultura, o desenvolvimento da resiliência através da melhoria das infra-estruturas, das práticas de gestão e da educação dos agricultores será fundamental para a sustentabilidade da produção avícola.










































