A produção agrícola em Moçambique registou um aumento significativo de 15,7% na campanha 2024/2025, tendo a produção total ultrapassado as 352,2 milhões de toneladas. Este desempenho impressionante, documentado no último relatório de execução orçamental, representa um aumento substancial face aos 304,5 milhões de toneladas registados no ciclo anterior. O crescimento foi particularmente acentuado no sector hortícola, que apresentou um aumento notável de 39,3%, atingindo 112,7 milhões de toneladas, enquanto a produção de cereais também teve um bom impulso de 19,9%, totalizando 57 milhões de toneladas.
Os resultados favoráveis da cultura foram amplamente atribuídos à mudança dos padrões climáticos, que proporcionaram um ambiente mais estável para o cultivo. De acordo com o relatório oficial do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, a transição de condições neutras para um fenómeno climático específico desempenhou um papel crucial no cumprimento das metas de produção. O documento observa explicitamente que a colheita agrícola de 2024/25 ocorreu sob a influência de um El Niño neutro, com tendências para La Niña, contribuindo para o alcance dos níveis de produção esperados para esta colheita.
Para além dos produtos de base, o sector comercial mostrou sinais de resiliência e recuperação. A produção de frutos secos, liderada sobretudo pela indústria do caju, subiu 37%, atingindo as 195 mil toneladas. A cana-de-açúcar registou também um aumento modesto de 2%, para 1,8 milhões de toneladas, um sucesso atribuído à reabilitação gradual das explorações de cana-de-açúcar que tinham sido devastadas por condições meteorológicas extremas e ciclones. Apesar destes ganhos, o sector operou sob imensa pressão, com quase 98% dos 7,2 milhões de hectares previstos a serem semeados, apesar de um contexto de adversidades persistentes.
No entanto, este crescimento permanece precariamente equilibrado em relação às ameaças ambientais contínuas. As recentes inundações nas regiões do sul já comprometeram mais de 440 mil hectares de plantações, resultando na perda total de 275.405 hectares e ameaçando os meios de subsistência de mais de 314 mil agricultores. Embora as cheias tenham sido devastadoras, a seca continua a ser o principal antagonista da agricultura moçambicana; Aproximadamente 58% das 789.419 famílias de agricultores afectadas por condições meteorológicas adversas nesta época sofreram especificamente com a falta de chuva, o que evidencia o impacto severo e variado da actual crise climática na segurança alimentar do país.















































