O sector agrícola de Moçambique, outrora um celeiro colonial, há muito que promete ser um motor de crescimento económico. No entanto, continua estagnado, apesar de ostentar um solo fértil, um clima diversificado e um vasto potencial inexplorado. Então, o que está impedindo esse gigante verde?
“É uma história complexa”, afirma Maria Matusse, CEO da Agro-Sul, uma empresa líder do agronegócio moçambicano. “Temos pequenos agricultores que lutam com práticas ultrapassadas e acesso limitado a insumos, enquanto a agricultura comercial ainda está a encontrar o seu equilíbrio após anos de negligência.”
Os números pintam um quadro nítido. Apesar de contribuir com mais de 25% do PIB e empregar 70% da força de trabalho, Moçambique importa uma parte significativa dos seus alimentos. A produtividade está atrás dos pares regionais e as perdas pós-colheita são estimadas em 30%.
“As infra-estruturas são um grande estrangulamento”, lamenta João Silva, presidente da Associação Moçambicana de Agricultores. “As estradas são precárias, as instalações de armazenamento são inadequadas e o acesso aos mercados é limitado. Isto torna difícil para os agricultores levarem os seus produtos onde e quando precisam estar.”
No entanto, em meio aos desafios, brilham lampejos de esperança. O governo comprometeu-se a dar prioridade ao desenvolvimento agrícola, investindo em projectos de irrigação, acesso ao financiamento e serviços de extensão. Iniciativas como o programa SUSTENTA visam aumentar a produtividade dos pequenos agricultores e o acesso ao mercado.
“Há também um apetite crescente pelo investimento privado”, diz Matusse. “Os investidores estão a ver o potencial em culturas de alto valor, como castanha de caju, nozes de macadâmia e frutas tropicais. Isto poderia criar empregos, impulsionar as exportações e impulsionar o crescimento económico geral.”
Mas os desafios permanecem. As questões relativas à posse da terra, a vulnerabilidade às alterações climáticas e os fracos quadros regulamentares precisam de ser abordados. “Precisamos de uma abordagem holística”, enfatiza Silva. “Não se trata apenas de fornecer sementes e fertilizantes aos agricultores. Precisamos de construir um ecossistema robusto que os apoie ao longo de toda a cadeia de valor.”
O futuro da agricultura de Moçambique depende da sua capacidade de enfrentar estes desafios. Poderá superar a inércia do passado e desbloquear o seu verdadeiro potencial? Só o tempo irá dizer. Mas uma coisa é certa – com os investimentos, políticas e parcerias certas, as terras férteis de Moçambique poderão finalmente transformar-se num motor de prosperidade inclusiva e sustentável.
Vozes da indústria:
- “A agricultura de Moçambique é um gigante adormecido, mas está a começar a acordar.” – Maria Matusse, CEO, Agro-Sul
- “Precisamos investir em infraestrutura, capacitar os agricultores e criar um ambiente propício para o agronegócio.” – João Silva, Presidente, Associação de Agricultores de Moçambique
- “O potencial é enorme, mas precisamos ir além da retórica e entrar em ação.” – Investidor na agricultura moçambicana












































