Por Dr. HIMANSHU PATHAK*
A agricultura continua sendo a espinha dorsal dos meios de subsistência, do emprego e da segurança alimentar em todo o Sul Global. Das plantações de milheto da África Ocidental aos arrozais do Sul da Ásia, o setor não apenas sustenta comunidades, mas também contribui significativamente para o PIB nacional e emprega uma grande parcela da população, especialmente mulheres e jovens. No entanto, apesar desse papel central, todo o potencial da agricultura para impulsionar o crescimento inclusivo e de longo prazo permanece subutilizado.
Desafios estruturais persistentes continuam a prejudicar o setor. A baixa produtividade, a vulnerabilidade climática, a degradação da terra e o acesso limitado a financiamento e tecnologia são agravados pelas mudanças na dinâmica global. A assistência ao desenvolvimento está se tornando menos previsível e os fluxos tradicionais de financiamento estão se estreitando à medida que importantes prioridades geopolíticas mudam.
Nesse cenário em evolução, os países do Sul Global precisam cada vez mais recorrer uns aos outros, não apenas aos doadores e parceiros tradicionais, em busca de soluções colaborativas e locais.
É aqui que a Cooperação Sul-Sul e Triangular (CSST) se torna indispensável. O Sul Global é rico em conhecimento indígena, tecnologias específicas para cada contexto e modelos de desenvolvimento testados e comprovados. Nações que enfrentam condições agroecológicas e socioeconômicas semelhantes estão em uma posição única para trocar inovações relevantes e resilientes. O que é necessário agora é a confiança e a infraestrutura para ampliar essa cooperação, transformando sucessos isolados em progresso compartilhado.
A história da Revolução Verde oferece um precedente convincente. Embora frequentemente associada a avanços científicos originários do Norte Global, seu sucesso no mundo real foi moldado e institucionalizado no Sul Global.
Países como Índia, México e Filipinas não foram meros receptores de tecnologias importadas; eles ativamente adaptaram, refinaram e escalaram inovações para se adequarem aos seus contextos agrícolas, sociais e ecológicos únicos.
“A lição é clara: com as parcerias certas, apoio institucional e vontade política, a inovação agrícola transformadora pode se originar e prosperar no Sul Global”, disse o Dr. Himanshu Pathak.
Em um nível mais prático e aplicado, instituições baseadas no Sul Global continuam sendo fundamentais para impulsionar essa transformação a níveis sem precedentes. Um excelente exemplo é o Instituto Internacional de Pesquisa de Cultivos para os Trópicos Semiáridos (ICRISAT), com sede na Índia e locais de pesquisa em toda a África Subsaariana.
O ICRISAT tem estado na vanguarda do desenvolvimento de soluções específicas para comunidades agrícolas de terras áridas. Suas inovações incluem o primeiro híbrido comercial de feijão-guandu do mundo, o primeiro grão-de-bico mecanizável e o primeiro milheto perolado biofortificado da África. Esses avanços não apenas aumentam a segurança alimentar e nutricional, mas também demonstram a liderança científica de ponta que emerge do Sul Global, desafiando as narrativas tradicionais.
A lição é clara: com as parcerias certas, apoio institucional e vontade política, a inovação agrícola transformadora pode se originar e prosperar no Sul Global.
Hoje, o apelo não é para replicar esse passado, mas para reimaginar um novo futuro, liderado por instituições, sistemas de conhecimento e colaboração do Sul. A CSST não é um retrocesso; é uma estratégia voltada para o futuro, visando resiliência, autossuficiência e equidade.
Para promover seu compromisso com a expansão da inovação em todo o Sul Global, o ICRISAT está tomando medidas ousadas para institucionalizar essa abordagem por meio do lançamento do Centro de Excelência para Cooperação Sul-Sul em Agricultura (ISSCA).
O Centro será apresentado na Conferência sobre o Sul Global e Cooperação Triangular: Facetas Emergentes, que acontecerá em Nova Déli de 3 a 4 de junho de 2025.
Convocada pelo Sistema de Pesquisa e Informação para Países em Desenvolvimento (RIS), um instituto autônomo vinculado ao Ministério das Relações Exteriores da Índia, a conferência oferece uma plataforma dinâmica e inclusiva para ampliar a liderança do Sul Global na promoção do desenvolvimento colaborativo e equitativo.
Durante uma sessão dedicada, o ICRISAT revelará duas iniciativas principais: o portal de troca de conhecimento ISSCA e a assinatura de um Memorando de Entendimento com a DAKSHIN, uma iniciativa do Governo da Índia focada no fortalecimento da cooperação Sul-Sul por meio de capacitação e parcerias de desenvolvimento.
O portal ISSCA é concebido como muito mais do que um centro de informações; será um motor prático para a transformação. Como um repositório dinâmico de inovações validadas, testadas em campo e escaláveis, ele promove a colaboração entre programas nacionais, agências de desenvolvimento, atores do setor privado e parceiros emergentes.
Por meio desta plataforma, as partes interessadas terão acesso a soluções agrícolas prontas para implantação que abordam desafios do mundo real, desde ferramentas avançadas de consultoria que impulsionam a agricultura climática inteligente até modelos de políticas transformadoras que unem agricultura, nutrição, equidade de gênero e empreendedorismo rural, abrangendo todo o espectro de inovação necessário para um impacto duradouro.
Ao fomentar a aprendizagem entre pares, intermediar parcerias transfronteiriças e promover a troca de conhecimento emoldurada pelas realidades locais, o ISSCA foi projetado para acelerar a adaptação e a inovação onde são mais necessárias. Ele fornecerá soluções com menor custo e risco para aqueles menos capazes de suportá-los, em última análise, capacitando as comunidades a construir futuros resilientes e sustentáveis. Em uma era marcada pela urgência climática, pelo aperto da ajuda ao desenvolvimento e por agendas nacionais remodelando silenciosamente o equilíbrio das alianças globais, o Sul Global e muitos dentro dele que anseiam por um futuro melhor não podem se dar ao luxo de esperar.
Deve liderar com convicção e solidariedade. O lançamento do ISSCA não é apenas um marco programático, é um poderoso sinal de liderança e um chamado à ação para todos que acreditam que a agricultura continua sendo a base do crescimento equitativo, da resiliência e do progresso autodeterminado em todo o Sul Global, liderado pelo Sul Global.
É também uma oportunidade rara e urgente para governos, comunidades, pesquisadores e agricultores se unirem, compartilharem soluções e construírem um futuro mais justo e seguro, que não deixe ninguém para trás.
*Dr. Himanshu Pathak é o Diretor Geral do ICRISAT











































