Por DIONÍSIO NOVELE*
Em Boane, na província de Maputo, em Moçambique, as terras de Arlindo Elias Massingue contam uma história de persistência, aprendizado e transformação. Aos 47 anos e pai de sete filhos, Arlindo passou anos trabalhando para sustentar sua família em condições difíceis. Por muito tempo, esse esforço não foi suficiente. Como muitos pequenos agricultores, ele enfrentava contratempos constantes. O acesso precário a insumos de qualidade como sementes certificadas, fertilizantes e defensivos agrícolas limitava sua capacidade de produção. Ao mesmo tempo, o conhecimento técnico restrito e a fragilidade da assistência técnica dificultavam o aprimoramento. A produtividade permanecia baixa, e os reflexos eram sentidos dentro de casa. Havia épocas em que colocar comida na mesa era uma incerteza. Pagar as mensalidades escolares dos filhos era um desafio constante. A agricultura, em vez de proporcionar estabilidade, muitas vezes trazia apenas estresse.
As coisas começaram a mudar quando Arlindo passou a integrar a iniciativa *Promoting Regenerative Agriculture for Sustainable Livelihoods (PRASL) “Promoção da Agricultura Regenerativa para Meios de Subsistência Sustentáveis”, uma parceria entre a Solidaridad (África Austral), a HEINEKEN Africa Foundation, a Kvuno e a Hiveonline. Como membro de uma cooperativa, ele começou a participar de capacitações voltadas para a agricultura resiliente ao clima e a produção moderna de batata. Essas sessões apresentaram a ele técnicas práticas que poderiam ser aplicadas diretamente em suas lavouras. Ele aprendeu sobre manejo do solo, rotação de culturas e controle integrado de pragas e doenças. Além disso, passou a ter acesso a sementes certificadas, fertilizantes de qualidade e defensivos agrícolas eficazes. Com o apoio de prestadores de serviços, como a SDAE e a Bayer, ele fortaleceu tanto o seu conhecimento quanto a sua confiança.
Arlindo destacou-se pelo seu comprometimento. Ele participava regularmente dos treinamentos e aplicava o que aprendia com disciplina. Passo a passo, sua forma de cultivar começou a mudar. Os resultados vieram na sequência. Ao adotar as práticas recomendadas e gerenciar suas plantações de maneira mais eficaz, Arlindo alcançou uma produtividade de 30 toneladas por hectare um patamar muito superior ao observado em anos anteriores. Essa melhoria marcou um ponto de virada, não apenas para sua propriedade, mas para toda a sua família. Com o aumento da renda, ele passou a suprir as necessidades de sua família de forma mais consistente. As mensalidades escolares passaram a ser pagas em dia. As refeições tornaram-se mais garantidas e nutritivas. Pela primeira vez em anos, surgiu uma sensação de estabilidade.
Os benefícios estenderam-se para além de sua casa. Durante a safra de batata, Arlindo empregou 25 trabalhadores temporários de sua própria comunidade, sendo a maioria mulheres e jovens. Sua propriedade tornou-se uma fonte de oportunidades para outras pessoas, contribuindo para o sustento local e fortalecendo a economia rural.
Ele também investiu em seu futuro. Com a renda obtida de sua colheita, adquiriu sua própria bomba de irrigação, o que lhe permitiu gerenciar melhor a água e reduzir a dependência das chuvas. Ele introduziu uma cultura adicional, passando a diversificar sua produção e diminuir os riscos.
Hoje, Arlindo é visto como um agricultor exemplar dentro de sua cooperativa. Suas lavouras refletem o valor de aplicar boas práticas agrícolas com zelo e constância. Outros agricultores buscam sua orientação, e ele compartilha sua experiência de bom grado.
“No passado, eu lutava sozinho para sustentar minha família. Desde que comecei a cultivar batatas por meio de uma iniciativa da Solidaridad, minha vida mudou: agora tenho uma renda estável, comprei minha própria bomba de irrigação e ajudo outros membros da cooperativa. Foi a melhor decisão que tomei como agricultor”, disse Arlindo Elias Massingue, pequeno agricultor.
*Dionísio Novele é gerente de projetos na Solidaridad (África Austral).









































