Um coro de guardiões da conservação exige intervenção urgente do Estado após uma série de violações de segurança alarmantes nas áreas protegidas de Moçambique, incluindo ataques descarados a instalações-chave dentro da renomada Reserva Especial do Niassa no mês passado. O Fórum da Comunidade de Conservação, uma coalizão de mais de 30 organizações influentes, emitiu uma declaração contundente pedindo ações imediatas e decisivas para proteger esses polos ecológicos e econômicos vitais.
Os ataques, que tiveram como alvo o acampamento principal da Chapungo-Kambako Safaris e o Centro de Treinamento Ambiental e de Habilidades de Mariri, na província de Niassa, em abril, causaram comoção entre os defensores da conservação. Esses incidentes não apenas ameaçam a delicada biodiversidade dentro das zonas protegidas de Moçambique, que cobrem impressionantes 29% do território nacional, mas também colocam em risco a subsistência de centenas de milhares de pessoas que dependem dessas áreas.
O fórum destaca as significativas contribuições financeiras dos esforços de conservação, revelando que impressionantes US$ 450 milhões foram investidos nessas regiões somente na última década. Coletivamente, os signatários representam um investimento anual superior a US$ 59 milhões, gerando emprego para mais de 3.000 moçambicanos e impactando positivamente a vida de mais de 97.000 pessoas por meio de diversas iniciativas relacionadas a meios de subsistência, educação, saúde e conservação.
“Os esforços de conservação devem ser reconhecidos e salvaguardados como uma questão de interesse da segurança nacional, não minados pela instabilidade ou impunidade”, implorou a Comunidade de Conservação em sua declaração contundente divulgada no sábado. “Eles fornecem a base crucial para o bem-estar humano, o crescimento econômico e a resiliência climática.”
Entre os signatários proeminentes que emprestam sua voz a este apelo urgente estão organizações respeitadas como a African Parks, a Buffalo Adventures, a Fauna and Flora, a Sociedade Zoológica de Frankfurt, a Peace Parks Foundation e a Endangered Wildlife Trust.
A coalizão está pressionando o governo moçambicano e as agências de segurança pública a priorizarem a segurança dos trabalhadores da conservação e das comunidades locais que residem nessas áreas protegidas ou próximas a elas. Eles insistem em uma resposta robusta e imediata em situações de emergência, aliada a um compromisso sustentado com patrulhas anti-caça furtiva bem financiadas, com treinamento especializado e adequadamente equipadas, operando sob a autoridade da Autoridade Nacional para as Áreas de Conservação (ANAC).
Traçando um paralelo com outras infraestruturas nacionais críticas, os defensores ambientais argumentam inequivocamente que quaisquer ameaças ou ataques a áreas de conservação devem ser tratados com a máxima seriedade. Isso inclui garantir a responsabilização e a manutenção do Estado de Direito nessas zonas protegidas.
A gravidade da situação foi sublinhada pelos detalhes revelados pelos ataques de abril a estabelecimentos turísticos de Mariri, na Reserva Especial do Niassa. Esses incidentes brutais resultaram, segundo relatos, na morte e ferimentos trágicos de vários trabalhadores, além da destruição extensiva de infraestruturas essenciais, incluindo escritórios, alojamentos, armazéns e veículos.
O fórum da Comunidade de Conservação enfatiza veementemente que as áreas protegidas de Moçambique não são meramente patrimônios locais, mas sim patrimônios nacionais e globais de imensa importância ecológica, cultural e económica. Eles sublinham a necessidade de proteger estas regiões inestimáveis da violência, da exploração e dos efeitos corrosivos da insegurança. O apelo à ação é claro: o momento para uma proteção decisiva é agora.










































